Arquivo mensal: novembro 2010

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A Guerra do Rio – A farsa e a geopolítica do crime

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PS: Excelente texto sobre a problemática realidade do Rio de Janeiro.

“Nós que sabemos que o “inimigo é outro”, na expressão padilhesca, não podemos acreditar na farsa que a mídia e a estrutura de poder dominante no Rio querem nos empurrar. Achar que as várias operações criminosas que vem se abatendo sobre a Região Metropolitana nos últimos dias, fazem parte de uma guerra entre o bem, representado pelas forças publicas de segurança, e o mal, personificado pelos traficantes, é ignorar que nem mesmo a ficção do Tropa de Elite 2 consegue sustentar tal versão. O processo de reconfiguração da geopolítica do crime no Rio de Janeiro vem ocorrendo nos últimos 5 anos.

De um lado Milícias, aliadas a uma das facções criminosas, do outro a facção criminosa que agora reage à perda da hegemonia. Exemplifico. Em Vigário Geral a polícia sempre atuou matando membros de uma facção criminosa e, assim, favorecendo a invasão da facção rival de Parada de Lucas. Há 4 anos, o mesmo processo se deu. Unificadas, as duas favelas se pacificaram pela ausência de disputas. Posteriormente, o líder da facção hegemônica foi assassinado pela Milícia. Hoje, a Milícia aluga as duas favelas para a facção criminosa hegemônica.

Processos semelhantes a estes foram ocorrendo em várias favelas. Sabemos que as milícias não interromperam o tráfico de drogas, apenas o incluíram na listas dos seus negócios juntamente com gato net, transporte clandestino, distribuição de terras, venda de bujões de gás, venda de voto e venda de “segurança”. Sabemos igualmente que as UPPs não terminaram com o tráfico e sim com os conflitos. O tráfico passa a ser operado por outros grupos: milicianos, facção hegemônica ou mesmo a facção que agora tenta impedir sua derrocada, dependendo dos acordos.

Estes acordos passam por miríades de variáveis: grupos políticos hegemônica na comunidade, acordos com associações de moradores, voto, montante de dinheiro destinado ao aparado que ocupa militarmente, etc. Assim, ao invés de imitarmos a população estadunidense que deu apoio às tropas que invadiram o Iraque contra o inimigo Sadam Husein, e depois, viu a farsa da inexistência de nenhum dos motivos que levaram Bush a fazer tal atrocidade, devemos nos perguntar: qual é a verdadeira guerra que está ocorrendo?

Ela é simplesmente uma guerra pela hegemonia no cenário geopolítico do crime na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. As ações ocorrem no eixo ferroviário Central do Brasil e Leopoldina, expressão da compressão de uma das facções criminosas para fora da Zona Sul, que vem sendo saneada, ao menos na imagem, para as Olimpíadas. Justificar massacres, como o de 2007, nas vésperas dos Jogos Pan Americanos, no complexo do Alemão, no qual ficou comprovada, pelo laudo da equipe da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, a existência de várias execuções sumárias é apenas uma cortina de fumaça que nos faz sustentar uma guerra ao terror em nome de um terror maior ainda, porque oculto e hegemônico. Ônibus e carros queimados, com pouquíssimas vítimas, são expressões simbólicas do desagrado da facção que perde sua hegemonia buscando um novo acordo, que permita sua sobrevivência, afinal, eles não querem destruir a relação com o mercado que o sustenta.

A farça da operação de guerra e seus inevitáveis mortos, muitos dos quais sem qualquer envolvimento com os blocos que disputam a hegemonia do crime no tabuleiro geopolítico do Grande Rio, serve apenas para nos fazer acreditar que ausência de conflitos é igual à paz e ausência de crime, sem perceber que a hegemonização do crime pela aliança de grupos criminosos, muitos diretamente envolvidos com o aparato policial, como a CPI das Milícias provou, perpetua nossa eterna desgraça: a de acreditar que o mal são os outros.

Deixamos de fazer assim as velhas e relevantes perguntas: qual é a atual política de segurança do Rio de Janeiro que convive com milicianos, facções criminosas hegemônicas e área pacificadas que permanecem operando o crime? Quem são os nomes por trás de toda esta cortina de fumaça, que faturam alto com bilhões gerados pelo tráfico, roubo, outras formas de crime, controles milicianos de áreas, venda de votos e pacificações para as Olimpíadas? Quem está por trás da produção midiática, suportando as tropas da execução sumária de pobres em favelas distantes da Zona Sul? Até quando seremos tratados como estadunidenses suportando a tropa do bem na farsa de uma guerra, na qual já estamos há tanto tempo, que nos faz esquecer que ela tem outra finalidade e não a hegemonia no controle do mercado do crime no Rio de Janeiro?

Mas não se preocupem, quando restar o Iraque arrasado sempre surgirá o mercado finaneiro, as empreiteiras e os grupos imobiliários a vender condomínios seguros nos Portos Maravilha da cidade. Sempre sobrará a massa arrebanhada pela lógica da guerra ao terror, reduzida a baixos níveis de escolaridade e de renda que, somadas à classe média em desespero, elegerão seus algozes e o aplaudirão no desfile de 7 de setembro, quando o caveirão e o Bope passarem.”

Dr. José Cláudio Souza Alves
Sociólogo, Porfessor da UFRRJ – Seropédica, RJ – 25/11/2010

What means AIESEC?

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What means AIESEC?

A AIESEC é uma organização internacional, gerida totalmente por estudantes, presente em 1.700 universidades de 107 países e territórios. É uma rede global formada por jovens universitários e recém-graduados, que, por meio do trabalho dentro da organização e de intercâmbios profissionais, estimula a descoberta e o desenvolvimento do potencial de liderança de seus membros para que impactem positivamente a sociedade. Se tiver curiosidade, você pode encontrar mais informações acessando o site: http://aiesec.org.br/site/estudantes/.

Nós do DAFF estamosfechando uma rede de comunicação com a AIESEC, repassando as notícias e atividades da organização de maneira contínua para a comunidade acadêmica da Faculdade de Farmácia e da Saúde! Fique ligado no blog do DAFF.

What can i do?

De tempos em tempos a organização oferece oportunidades para realização de intercâmbios profissionais ou estudantis através de diferentes programas, como o Cidadão Global e o It’s my world. Quem tiver interesse em realizar intercâmbios, basta acessar os links e procurar as agências em cada cidade mais próximas. Aqui em Porto Alegre a sede da organização está situada na Escola de Administração da UFRGS, na R. Washington Luiz – 855, telefone (51) 3308-3684 .

Host program.

Os estrangeiros que vêm trabalhar em empresas de Porto Alegre, através da AIESEC, precisam de hospedagem para permanecer aqui durante o período de seu intercâmbio profissional. A experiência de receber em casa uma pessoa de outra nação é sempre muito valiosa. O trainee integra-se melhor à cultura local e você tem a oportunidade de praticar um novo idioma e aprender sobre uma cultura diferente. Se você tem interesse em participar do programa, acesse: http://www.aiesec.org.br/site/escritorio/portoalegre/hospede-um-estrangeiro/.

Resultado da eleição para o DCE/UFRGS

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É com muita alegria que venho informar sobre o resultado das eleições para o DCE UFRGS. Depois de uma eleição marcada por inúmeros problemas, discussões, confusões, golpes e mais uma tentativa de impugnação dos resultados, a Chapa 3 vence a eleição. Vamos aos resultados:

Chapa 3 – UFRGS PÚBLICA E POPULAR – 2354
Chapa 1 – DCE LIVRE – 1130
Chapa 2 – A UFRGS NÃO PODE PARAR – 887
Chapa 4 – DC’ÉS – 64

Obrigada pela atitude daqueles que de fato votaram e exerceram o seu direito de escolha frente á uma importante instância de representação política estudantil, seja qual for o seu voto. Não há como fugir da política, pois ela faz parte da vida das pessoas, mesmo que os indivíduos não se interessem ou afirmem não gostar dela.

A política está no dia-a-dia. Decisões tomadas num plano distante do cidadão acabam afetando as condições de sua existência, na moradia, no emprego, na educação. Cabe a cada um decidir se fará parte desta instância de modo exclusivo e indiferente a tua própria condição, ou se tentará modificar a realidade e impactar a sociedade de maneira positiva.

2ª Reunião da XXXVII SAEF

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Não esqueça! Terça-feira, ás 18 horas, será realizada a segundareunião da XXXVII SAEF 2011, evento á ser realizado pela Faculdade de Farmácia da UFRGS. Contamos com a participação de todos na construção e realização de um evento que é de TODOS nós, estudantes de graduação, pós-graduação, professores  e profissionais farmacêuticos.

Dentre as pautas discutiremos sobre: a construção do cronograma de atividades até maio, patrocínios e editais, cadastro do Projeto, formulário para sugestões e participação da comunidade acadêmica, dentre outros.

Participe e construa a SAEF conosco! Todos estão convidados!

A Indústria Farmacêutica e a Prorrogação de Patentes

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Criadas para favorecer a P&D de novos medicamentos, as leis de defesa e prorrogação de patentes abriram margem á alguns dos mais audaciosos planos de monopólio das indústrias farmacêuticas. Em grande parte dos casos, elas tratam esse mecanismo simplesmente como um meio de prorrogar a vida de um medicamento campeão de vendas, cuja patente esteja para vencer, fabricando uma droga virtualmente idêntica e transferindo os usuários para o “inovador” medicamento.

De fato, a droga só precisa ser suficientemente diferente para ter direito a uma nova patente. Você pode pensar “Que blasfêmia, não é assim que ocorre!”, então vejamos o caso do medicamento mundialmente conhecido como Nexium, do laborátorio inglês AstraZeneca. O Nexium é um medicameno para azia do tipo inibidor de prótons, lançado no mercado em 2001, precisamente quando ia expirar a patente do Prilosec, o antigo campeão para combate de azia do laboratório.

Parece coincidência (ou não), e realmente não foi. Se não houvesse uma substituição, provavelmente o laboratório estaria em maus lençóis. Com seus seis bilhões de dólares em vendas anuais, o Prilosec era um dos medicamentos mais vendidos no mundo. Quando a patente caisse, o laboratório teria de enfrentar a concorrência dos genéricos do produto, e suas vendas cairiam vertiginosamente.

Foi então que o laboratório desenvolveu um plano estratégico audacioso. O Prilosec é uma mistura de uma forma ativa e de uma forma possivelmente inativa – no caso uma mistura de isômeros – da molécula de omeprazol. O laboratório então usou essa carta na manga, registrando uma nova patente da forma ativa da molécula de Prilosec, chamando-a de Nexium. Os estudos relativos a essa elucidação da atividade dos isômeros era antiga, mas a proposta de melhoria foi reservada para esse momento estratégico. O Nexium foi anunciado como um avanço em relação ao medicamento anterior, antes que a patente deste expirasse. O plano funcionou.

Adaptado de: “A Verdade sobre os Laboratórios Farmacêuticos”, de Marcia Angell.

3° Congresso Internacional de Inovação

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Realizado no espaço FIERGS nos dias 18 e 19 de novembro de 2010, o evento caracterizou-se pela diversidade de assuntos e áreas que participaram, desde a construção e organização dos espaços diversos, como do público que conseguiu atingir, o Congresso foi marcado pela Inovação – o seu tema central. Através da proposta de espaços de discussão on-line, de mesas-redondas, de palestras em formatos inovadores, da proposta de espaços de exposição através de cases – tanto de empresas, como de projetos – inovadores, das diversas e extremamente válidas exposições que foram realizadas de diferentes maneiras (através de vídeos, palestras, pequenas bancas de atendimento pessoal, pequenos labirintos expositivos, localizados em frente ao Teatro da FIERGS, experimentação de serviços e produtos), o Congresso conseguiu tornar real a inovação que buscou promover.

As plenárias e painéis conseguiram agregar profissionais, iniciativas, cases, spin-offs, start-ups, estudantes, empresas e organizações das mais diferentes áreas, o que enriqueceu muito o debate. Cito como exemplos a brilhante participação de Pablos, de Tom Kelley, e da plataforma on-line interativa, aberta para discussão global da temática do evento (Web 3i). Inúmeros debates demonstraram de forma clara que a relação Universida-Empresa-Sociedade pode ocorrer á bom termo, quando ocorre á níveis salutares, de maneira cooperativa, empreendedora e inovadora.

Queria destacar alguns pontos apresentados em diversas apresentações, e a enorme quantidade de vezes que mencionaram o campo das Ciências Farmacêuticas e Biotecnologia – em especial as áreas de P&D, inovação em cosméticos e medicamentos, pesquisa de doenças e tratamento, dentre outras diversas – e outros relacionados a saúde. Mesmo não tendo participado de todos os espaços do evento, garanto que nossa área de atuação fez parte da retórica de:

– Pablos, um dos empresários da Adventure Capital Fund que possui mais de 5 bilhões de doláres investidos a fundo perdido em projetos, na plenária “Arte da Inovação na Perspectiva de um Hacker”. É um futurista, inventor e especialista em segurança digital e principalmente um conhecido e assumido hacker (durante a apresentação ele demonstrou um pouco da habilidade, mostrando que páginas um participante randômico tinha acessado há pouco, através de um software em seu computador).
– GILSON PAULO MANFI, Gerente de Inovação e Parcerias da Natura, NALDO MEDEIROS DANTAS, Representante ANPEI – Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras, e de DANTE ALARIO (BRASIL) – Diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, Biolab Sanus Farmacêtica Ltda no painel Interação Universidade − Empresa organizado pela SEDETEC/UFRGS.
– de diretores de multinacionais como Tom Kelley, Diretor Executivo da Ideo, consultoria especializada em design, também Autor dos livros “A Arte da Inovação” e “As Dez Faces da Inovação”, na plenária “Estratégias para reforçar a criatividade e criar uma cultura de inovação”.

Foram algumas dentre outras tantas menções de diferentes palestrantes ao nosso setor. Todos sempre apontaram como é grande o potencial da área, e como a inovação pode nos guiar para o avanço. Cabe a nós, visualizarmos de que maneira podemos ser inovadores, que a complexidade de nosso currículo fornece inúmeros problemas, mas também milhares de oportunidades! Basta criatividade, vontade e interesse. Foram essas as palavras que muitos destes empresários bem-sucedidos mencionaram serem as mais procuradas por grandes empresas: paixão, vontade e interesse.

Com certeza uma das últimas coisas que esperava era ir para uma palavra de um hacker/empresário, e ele falar sobre o ciclo evolutivo da malária, do quão interessante esse estudo era, e que não podemos só imaginar a cura de doenças em forma de medicamento. Que devemos também pensar no ciclo como uma teia de sítios de ação (é, ele sabia o que eram e falou disso na plenária) e possibilidades, como as que estão usando para desenvolver uma rede de raios laser para eliminar mosquitos transmissores, e para rastreá-los via satélite. Fora as pesquisas de nano-robótica voltada ao tratamento do câncer. Sem dúvida, quem foi não se decepcionou.

Mais informações no site oficial do evento: clique aqui para acessar.

Carta aberta do Congresso: clique aqui para acessar.