Arquivo da categoria: Efeito Colateral

Jornal eletrônico do Diretório Acadêmico e da Faculdade de Farmácia da UFRGS, que tem como objetivo discutir assuntos direta ou indiretamente relacionados ao mundo da saúde, da farmácia e de suas inúmeras facetas. Buscaremos discutir assuntos relevantes á nossa área, mas nem sempre tão frequentemente discutidos em nosso meio acadêmico.

Farmacêutico? @Efeito Colateral #3rd

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Salve, salve, leitores do Blog!

Enfim chega o fim-de-ano, as festas, o fim do semestre, a época dos presentes, pedidos e desejos – e geralmente essa é a parte mais esperada, não? Entrando nesse clima de reflexão de fim-de-ano, resolvi trazer á tona uma questão que levantamos na última SAEF: afinal, o que a sociedade espera e já esperou de nós como futuros, ou atuais, farmacêuticos?

Muitos já falaram sobre isso – não foi só na última Semana Acadêmica que essa questão foi levantada, ela é histórica. Já no ano de 1997, a Organização Mundial da Saúde, divulgou uma documentação sobre qualidades gerais que o farmacêutico deve possuir (The role of the pharmacist in the health care system), e foram estas sete qualidades que derão origem a expressão “farmacêutico sete estrelas”. As características mencionadas nesse documento são: ser prestador de serviços farmacêuticos em uma equipe de saúde; ser capaz de tomar decisões; ser comunicador; ser líder; ser gerente; estar atualizado permanentemente; e ser educador.

Será que estamos realmente direcionados a desenvolver estas qualidades esperadas? É uma questão que devemos levar em conta, porque a despeito de estarem sendo ou não desenvolvidas, elas são necessárias:  é ponto-comum debatermos sobre a necessidade mundial de pessoas e profissionais que façam a diferença, tentando responder as inúmeras questões e problemas ainda existentes em nosso mundo.

Contudo, a OMS é responsável por delinear as necessidades quanto á diversas profissões da área da saúde, e isso pode parecer um tanto “comum”. Nas próximas edições, veremos que essa questão não foi só levantada pela própria área da saúde.

Por fim, não poderia deixar de proveitar o espaço para desejar á todos um ótimo fim-de-ano e um 2011 melhor ainda! Boas festas, e se possível, desejo que decidam tomar uma decisão nesse ano que vem chegando: serem felizes, porque atrás do resto poderemos correr. Tenho certeza!

A história do Captopril @Efeito Colateral

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Olá pessoal! Antes de mais nada: não, eu não vou falar sobre os efeitos colaterais do Captopril, relaxem. Isso deixarei a cargo da Química Farmacêutica, tendo vocês passado, estarem tentando passar ou ainda não passado por esta disciplina. Hoje falaremos sobre a história deste medicamento que, de certo modo, inovou o arsenal de anti-hipertensivos disponíveis – e, para surpresa de muitos, isso contou com a participação de pesquisadores brasileiros.

Há mais de 30 anos, um cientista inglês, sir John Vane (Prêmio Nobel), e sua equipe, mostraram que a enzima conversora de angiotensina chamada ACE, é responsável pela formação de angiotensina II . Desde essa época, essa enzima passou a ser o alvo da indústria farmacêutica para a obtenção de drogas anti-hipertensivas.  Sir John Vane e sua equipe utilizaram substâncias extraídas do veneno da jararaca para descobrir os primeiros anti-hipertensivos naturais que foram utilizados como modelo pela Squibb (indústria farmacêutica multinacional) para a síntese do Captopril, droga bilionária utilizada como anti-hipertensivo no mundo todo.

O mérito dessa descoberta, que muito contribuiu para entendermos como funciona o nosso sistema cardiovascular, ficou quase todo com os ingleses e americanos. Entretanto, o avanço que a fisiopatologia cardiovascular teve na segunda metade do século passado deve muito a uma escola de cientistas brasileiros criada pelo Prof. Mauricio Rocha e Silva e a utilização do veneno da Bothrops jararaca. A descoberta da bradicinina, em 1949, e dos primeiros anti-hipertensivos naturais, por Sergio Ferreira e Rocha e Silva, na década de 60, foi possível graças à utilização do veneno da jararaca.

Foi Ferreira que, no final da década de 60, levou ao sir John Vane a fração do veneno da jararaca que continha esses anti-hipertensivos (denominados de peptídeos potenciadores da bradicinina ou BPPs), que foram utilizados como modelo para a síntese do Captopril, nome comercial do anti-hipertensivo que tem rendido bilhões de dólares para as multinacionais farmacêuticas.

Efeito Colateral! #1st

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Salve, salve, graduandos, graduandas, professores, farmacêuticos e leitores em geral!

Como dito pelo Vinícius, a partir desse fim-de-semana começam a surgir mudanças no Blog do DAFF – e está ficando bonito, hein? O Blog se torna um espaço mais descolado, jovem, cheio de notícias mais leves e gente bonita.  Ok, não vamos exagerar! Uma dessas mudanças será a presença de colunas semanais e, dentre estas, teremos o Efeito Colateral, que nada mais é que um espaço de reflexão sobre diversos assuntos, direta ou indiretamente ligados ao universo farmacêutico, a saúde, a cultura e a história. Espero que todos gostem das matérias, que serão postadas semanalmente aos domingos!

Para começar, resolvi falar sobre alguns pontos da história farmacêutica, em especial da brasileira e gaúcha. Alguém já parou para se perguntar quando de fato o ensino farmacêutico começou no Brasil? Quais foram alguns dos primeiros e famosos farmacêuticos da história brasileira? O que significa nosso símbolo? São algumas das perguntas que serão respondidas na matéria de hoje.

A história do ensino farmacêutico no Brasil iniciou-se somente em 1832, com a Faculdade de Farmácia no Rio de Janeiro associada à Faculdade de Medicina e Cirurgia, embora já em 1809 José Maria Bontempo havia elaborado o primeiro livro da curso de Medicina do Rio de Janeiro, sendo ele o primeiro professor de farmácia do Brasil. Mais tarde, em 1897 começa a funcionar em Porto Alegre a Escola Livre de Farmácia e Química Industrial, hoje considerada a célula-mãe da UFRGS, e é o que hoje se tornou a Faculdade de Farmácia da UFRGS! Mazah!

Dentre alguns dos primeiros e mais famosos farmacêuticos, destacam-se: Carlos Drummond de Andrade (além de notável escritor, foi diplomado farmacêutico), Alberto de Oliveira (fundador da Academia Brasileira de Letras), John Pemberton (farmacêutico responsável pela criação da fórmula da Coca-Cola, que antes era um xarope), Henri Nestlé (adivinha? fundador da multinacional Nestlé, e curiosamente o criador da farinha láctea mais famosa do mundo) e Martin Klaproth (descobrir dos elementos químicos urânio, zircônio e titânio). Pois é, vários farmacêuticos marcaram de fato a história, tá achando o quê?

E enfim, o que significa o famoso símbolo da farmácia: a cobra enrolada na taça? Bom, a serpente representa a sabedoria, o poder, a ciência e a transmissão do conhecimento com inteligência. Já a taça representa a cura, a criação (não é á toa que nos muitos filmes que tratavam sobre elixires mágicos da cura ou da vida eterna acabava-se falando de um cálice ou taça contendo tal “substância mágica”, não é?).  Portanto, podemos dizer que nosso símbolo representa o poder ou a ciência da cura!

Por hoje é só pessoal! Espero que tenham gostado da matéria. Até a próxima semana.

Por Jauri Jr.

Dúvidas sobre a RDC 44/10 e a venda de antibióticos?

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Você tem dúvidas sobre as alterações promovidas pela RDC 44 /10 na venda de antimicrobianos? Então, confira o material divulgado pela ANVISA com respostas para as perguntas mais frequentes sobre o assunto. A linguagem é bastante simples e prática; recomendo!

Leia o material clicando aqui.

Gostaria de ler a resolução na íntegra? Clique aqui.

Comunicado oficial sobre a crise do CRF/RS

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Repassado o comunicado sobre a atual situação do Conselho Regional de Farmácia do RS.

À Sociedade e Comunidade Farmacêutica Riograndense:

Considerando as recentes notícias ventiladas na imprensa acerca de irregularidades no âmbito desta Autarquia Federal, vimos pelo presente expediente informar que, conforme os termos do Acórdão/CFF nº 14.767 de 10/12/10, publicado no Diário Oficial da União de 13/12/10, Seção 1, página 143, determinados fatos acarretaram a intervenção temporária do Conselho Federal de Farmácia junto ao Conselho Regional de Farmácia do Estado do Rio Grande do Sul, a saber:

1) em razão da renúncia de dois Diretores no decorrer do presente exercício, não é possível a manutenção do órgão em funcionamento com apenas os outros dois remanescentes por falta de quórum regimental, sendo vedada a nomeação pelo próprio Plenário ante a necessidade de eleição direta e secreta, nos termos da Lei Federal nº 3.820/60;

2) conforme auditorias realizadas pelo Conselho Federal de Farmácia junto aos Conselhos Regionais de Farmácia, apurou-se junto ao CRF/RS, algumas irregularidades administrativas e financeiras que necessitam ser, de imediato, saneadas, em razão de indícios de uso incorreto de verba pública, gerando prejuízos e estado de insolvência;

3) por tais motivos, o Conselho Federal de Farmácia afastou os membros remanescentes da Diretoria anterior e nomeou, através da Portaria nº 18 de 10/12/10 (DOU de 13/12/10, Seção 2, pp. 57/58), a Junta Diretiva provisória, composta pelos farmacêuticos GIOVANA RANQUETAT FERNANDES – Presidente; PAULO JACONI SARAIVA – Vice-Presidente; LUIZ ARNO LAUER – Secretário-Geral e FLÁVIA VALLADÃO THIESEN – Tesoureira, os quais promoverão a continuidade das atividades do CRF/RS, bem como os atos correcionais devidos;

4) o Plenário do CRF/RS restou suspenso temporariamente, porém preservando-se os respectivos mandatos;

5) cumpre registrar que haverá, no segundo semestre de 2011, eleições para os Conselhos Regionais de Farmácia, dentre eles o do CRF/RS;

6) inobstante tais acontecimentos, o CRF/RS, através de seu valoroso e competente corpo administrativo, manterá as suas atividades normais.

Sendo o que se apresenta para o momento, contando com o apoio de todos, subscrevemo-nos.

GIOVANA RANQUETAT FERNANDES
Presidente

PAULO JACONI SARAIVA
Vice-Presidente

LUIZ ARNO LAUER
Secretário-Geral

FLÁVIA VALLADÃO THIESEN
Tesoureira

A Guerra do Rio – A farsa e a geopolítica do crime

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PS: Excelente texto sobre a problemática realidade do Rio de Janeiro.

“Nós que sabemos que o “inimigo é outro”, na expressão padilhesca, não podemos acreditar na farsa que a mídia e a estrutura de poder dominante no Rio querem nos empurrar. Achar que as várias operações criminosas que vem se abatendo sobre a Região Metropolitana nos últimos dias, fazem parte de uma guerra entre o bem, representado pelas forças publicas de segurança, e o mal, personificado pelos traficantes, é ignorar que nem mesmo a ficção do Tropa de Elite 2 consegue sustentar tal versão. O processo de reconfiguração da geopolítica do crime no Rio de Janeiro vem ocorrendo nos últimos 5 anos.

De um lado Milícias, aliadas a uma das facções criminosas, do outro a facção criminosa que agora reage à perda da hegemonia. Exemplifico. Em Vigário Geral a polícia sempre atuou matando membros de uma facção criminosa e, assim, favorecendo a invasão da facção rival de Parada de Lucas. Há 4 anos, o mesmo processo se deu. Unificadas, as duas favelas se pacificaram pela ausência de disputas. Posteriormente, o líder da facção hegemônica foi assassinado pela Milícia. Hoje, a Milícia aluga as duas favelas para a facção criminosa hegemônica.

Processos semelhantes a estes foram ocorrendo em várias favelas. Sabemos que as milícias não interromperam o tráfico de drogas, apenas o incluíram na listas dos seus negócios juntamente com gato net, transporte clandestino, distribuição de terras, venda de bujões de gás, venda de voto e venda de “segurança”. Sabemos igualmente que as UPPs não terminaram com o tráfico e sim com os conflitos. O tráfico passa a ser operado por outros grupos: milicianos, facção hegemônica ou mesmo a facção que agora tenta impedir sua derrocada, dependendo dos acordos.

Estes acordos passam por miríades de variáveis: grupos políticos hegemônica na comunidade, acordos com associações de moradores, voto, montante de dinheiro destinado ao aparado que ocupa militarmente, etc. Assim, ao invés de imitarmos a população estadunidense que deu apoio às tropas que invadiram o Iraque contra o inimigo Sadam Husein, e depois, viu a farsa da inexistência de nenhum dos motivos que levaram Bush a fazer tal atrocidade, devemos nos perguntar: qual é a verdadeira guerra que está ocorrendo?

Ela é simplesmente uma guerra pela hegemonia no cenário geopolítico do crime na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. As ações ocorrem no eixo ferroviário Central do Brasil e Leopoldina, expressão da compressão de uma das facções criminosas para fora da Zona Sul, que vem sendo saneada, ao menos na imagem, para as Olimpíadas. Justificar massacres, como o de 2007, nas vésperas dos Jogos Pan Americanos, no complexo do Alemão, no qual ficou comprovada, pelo laudo da equipe da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, a existência de várias execuções sumárias é apenas uma cortina de fumaça que nos faz sustentar uma guerra ao terror em nome de um terror maior ainda, porque oculto e hegemônico. Ônibus e carros queimados, com pouquíssimas vítimas, são expressões simbólicas do desagrado da facção que perde sua hegemonia buscando um novo acordo, que permita sua sobrevivência, afinal, eles não querem destruir a relação com o mercado que o sustenta.

A farça da operação de guerra e seus inevitáveis mortos, muitos dos quais sem qualquer envolvimento com os blocos que disputam a hegemonia do crime no tabuleiro geopolítico do Grande Rio, serve apenas para nos fazer acreditar que ausência de conflitos é igual à paz e ausência de crime, sem perceber que a hegemonização do crime pela aliança de grupos criminosos, muitos diretamente envolvidos com o aparato policial, como a CPI das Milícias provou, perpetua nossa eterna desgraça: a de acreditar que o mal são os outros.

Deixamos de fazer assim as velhas e relevantes perguntas: qual é a atual política de segurança do Rio de Janeiro que convive com milicianos, facções criminosas hegemônicas e área pacificadas que permanecem operando o crime? Quem são os nomes por trás de toda esta cortina de fumaça, que faturam alto com bilhões gerados pelo tráfico, roubo, outras formas de crime, controles milicianos de áreas, venda de votos e pacificações para as Olimpíadas? Quem está por trás da produção midiática, suportando as tropas da execução sumária de pobres em favelas distantes da Zona Sul? Até quando seremos tratados como estadunidenses suportando a tropa do bem na farsa de uma guerra, na qual já estamos há tanto tempo, que nos faz esquecer que ela tem outra finalidade e não a hegemonia no controle do mercado do crime no Rio de Janeiro?

Mas não se preocupem, quando restar o Iraque arrasado sempre surgirá o mercado finaneiro, as empreiteiras e os grupos imobiliários a vender condomínios seguros nos Portos Maravilha da cidade. Sempre sobrará a massa arrebanhada pela lógica da guerra ao terror, reduzida a baixos níveis de escolaridade e de renda que, somadas à classe média em desespero, elegerão seus algozes e o aplaudirão no desfile de 7 de setembro, quando o caveirão e o Bope passarem.”

Dr. José Cláudio Souza Alves
Sociólogo, Porfessor da UFRRJ – Seropédica, RJ – 25/11/2010